Em meados dos anos 80, um game de plataforma começou a chamar a minha atenção. Um jovem preso em um calabouço numa fuga desesperada para salvar uma garota, enquanto tudo acontecia em tempo real. Nascia aí um clássico: Prince of Persia. Diversas plataformas começaram a receber o título e um tempo depois uma continuação foi lançada mantendo a mesma fórmula de sucesso e ainda arrancando sorrisos de gamers pelo mundo inteiro. Mas quanto tempo levaria para que o jogo fosse reformulado?
Quando a Era 3D começou a dominar o mercado, um game baseado nas aventuras do príncipe persa foi feito, porém com um acabamento horroroso, e as mãos de outras pessoas por trás do projeto o game não agradou tanto, e Prince of Persia: Arabian Nights do Dreamcast foi um fracasso.
Com o mercado dos games se mostrando como uma das fontes de entretenimento mais rentáveis da história, a Ubisoft resolveu trazer de volta o clássico oitentista com uma cara totalmente nova e uma história única. Prince of Persia: Sands of Time foi um tremendo sucesso, o que acabou gerando duas novas aventuras, fechando o que podemos chamar de uma trilogia clássica magistral, com pontas bem amarradas e roteiro perfeito.
Bem, o tempo passou desde o fim da trilogia e um novo game foi anunciado, dessa vez para a "nova geração" de consoles e PCsâ?¦ Mas será que o game conseguiu manter o brilhantismo dos últimos games?
Novo personagem, novo jogo, uma nova história
O enredo de Prince of Persia é bem simples. A princípio o herói está voltando de uma aventura e após se perder de seu jumento acaba se deparando com Elika, uma jovem e bela princesa que está fugindo. Por mais que a garota o queira manter afastado, ele a ajuda, e após revelar os poderes mágicos que ela possui e os problemas que a persegue o malando príncipe forma uma parceria com a garota.
Essa parceria, por sinal, é o lance mais bacana no jogo. Os diálogos no meio do game são divertidos e fluem de forma gostosa, ainda mais com o Príncipe e seu jeito malandrão, conseguindo tirar boas risadas do jogador durante as conversas com Elika, que é de longe é uma das melhores coisas do jogo. Porém ela também causa algumas frustraçõesâ?¦
Casual
Eu sou casual player confesso. Apenas alguns jogos realmente me fazem entrar de cabeça e gastar horas de minha vida. Muitas coisas são necessárias para que eu consiga essa imersão. Dessa forma, pensando mais nos casual players de hoje em dia, a Ubisoft decidiu inovar criando um game totalmente "desencanado", que qualquer um pode jogar sem se frustrar por não conseguir passar de uma fase, algo assim. O problema é que se este recurso parece divertido a princípio no final você sente falta de desafios..
Elika, sua inseparável parceira, por possuir poderes mágicos, te livra de todas as enrascadas do jogo. Calcule um pulo errado e ela lhe resgatará, esteja prestes a tomar um golpe fatal na batalha e a mesma impedirá sempre com uma animaçãozinha simples. Esse ponto cansa um pouco, o game até te dá dicas quando você está prestes a morrer em um salto, e o mínimo que você pode fazer é tentar recorrer a uma das magias que Elika possui, mas não se preocupe. Caso falhe, ela te ajudará do mesmo jeito. A única punição que você recebe é no máximo ter de refazer um pedaço do caminho que você estava seguindo e nas batalhas ver seu inimigo ter parte da energia restaurada.
Falando nas batalhas, este é um ponto que também irrita no game. Os golpes são belos, as magias sagazes, mas em um momento você percebe que tudo já foi feito e o game manterá aquele mesmo ritmo sempre. Outro fator é que o sistema de combate lembra um pouco os RPGs - mas não se assuste. Quero dizer que, se você está saltando nas plataformas e um inimigo aparecer, você tem a obrigação de combatê-lo, isso tira um pouco o dinamismo do jogo, por mais que as batalhas sejam curtas.
Um mundo a ser explorado
Logo no começo do jogo você já tem acesso ao mapa completo do game, sendo que não existe uma ordem certa a ser seguida. Alguns caminhos, claro, você só consegue liberar ao derrotar alguns vilões, que ao serem destruídos permitem que Elika use sua magia restaurando os campos verdes do cenário e permitindo o acesso a locais antes inacessíveis. Após liberar cada cenário, algumas "luzes" aparecem e precisam ser recolhidas para que novas habilidades sejam liberadas ao protagonista. A princípio você não dá muita importância, porém mais adiante no jogo você começa a sentir falta, já que a quantidade chega a números volumosos, e ninguém gosta de fazer os mesmos caminhos, o que acaba se tornando enjoativo.
Os cenários são sempre bem trabalhados e o visual cell-shading caiu como uma luva. Tá certo que com o potencial dos games de hoje em dia seria interessante ver um visual 3D melhor trabalhado, porém você se acostuma logo de cara e acaba se deixando envolver aproveitando ao máximo a beleza dos gráficos.
Trilha sonora envolvente e jogabilidade simples
Com tantas facilidades no jogo, a Ubisoft soube trabalhar bem os comandos de forma bastante intuitiva. Como o game praticamente joga por você, em determinados momentos você apenas precisa apertar os botões certos para não precisar refazer o mesmo percurso.
Se os gráficos te prendem pela beleza, a trilha sonora simplesmente é gloriosa. A mudança de música quando o campo é recuperado para os momentos de tensão em combates com o inimigo acabam consumindo horas de seu tempo dando vontade de ligar novamente o PC apenas para ficar curtindo o clima. É interessante, pois o som não tenta roubar a cena e quando não há música você já está tão envolvido que acaba nem percebendo, o que é bem bacana.
O GAME VALE?
Após terminar o jogo você pode resolver explorar um pouco mais do cenário usando algumas recompensas adquiridas, como por exemplo a possibilidade de encarnar o Príncipe clássico de Sands of Time ou até mesmo Altair de Assassin's Creed. Como o jogo é casual, você acaba jogando mais de uma vez.
Por mais que Prince of Persia não tenha me agradado 100%, o jogo é divertido e envolvente, valendo sim cada centavo gasto no título. Agora resta saber quais os planos da Ubisoft para manter a saga sem perder seu brilhantismo.